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As amizades influenciam na opção sexual

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A exploração do erotismo tem como conseqüência banalizar a sexualidade. Banalizar no sentido de tratá-la como se fosse algo igual para todos. Esse “igual para todos” é, mais uma vez, ditado pela regras do consumo que, como vimos, criam padrões de comportamento e de performances sexuais. Para os que não conseguem responder a essa imposição sem dúvida perversa, existem drogas para corrigir o problema, o que significa que a indústria farmacêutica da “performance sexual” não pára de crescer.

Um outro aspecto da exploração do erotismo na TV afeta diretamente as crianças. Como sabemos, a sexualidade humana tem uma história, cujos elementos constitutivos começam bem antes do nascimento da criança, e estão relacionados com o lugar que ela ocupa no imaginário e na economia libidinal daqueles que a acolhem no mundo. A chamada constituição do sujeito, processo que se inicia logo apos o nascimento, é marcada por intensos movimentos pulsionais que definirão a expressão da sexualidade adulta. Por conseguinte, a maneira como cada um vive a sua sexualidade, dentro das singularidades próprias de cada um, é construída desde os primeiros dias de vida.

Entretanto, ainda que atividade sexual infantil comece em idade precoce, a resposta que a criança dá às excitações sexuais que seu corpo produz não corresponde à leitura que o adulto faz dessa sexualidade. Basta ver a reação dos adultos, que nunca são sem conseqüências, ao surpreendê-la na fase típica das brincadeiras infantis. Sem dúvida, é neste sentido que se pode dizer que a criança é inocente. Ela, de fato, o é, pois, nesta fase de descoberta e construção imaginário-simbólica da imagem do corpo próprio, não existe (ainda) nenhuma razão para evitar a exploração libidinal de certas partes desse corpo. Isto só será feito a partir da conotação que o adulto dará a essas brincadeiras – culpa, prazer, proibição, pecado, a qual traduz o universo sexual do adulto, estando diretamente ligada à maneira como esse adulto viveu o despertar de sua própria sexualidade.

Por possuir um tempo e um ritmo que lhe são próprios, e uma vez que o curso definitivo das disposições pulsionais é determinado pelas experiências da primeira infância (Freud, 1905/1972, p. 181), o excesso (prematuro) de estímulos pode ser problemático para a sexualidade do sujeito em constituição. Uma das fontes desse excesso pode ser a TV. Alguns programas podem despertar a sexualidade de maneira a comprometer a sexualidade futura da criança. Como exemplo, podemos citar algumas emissões televisivas onde meninas de três, quatro anos, às vezes menos, dançavam a então famosa "dança da garrafa". A satisfação produzida na criança pelo reconhecimento narcísico que o olhar do outro lhe confere é, sem dúvida, muito grande. Mas devido à Confusão de língua entre os adultos e a criança (Ferenczi, 1933/1992), o olhar que o adulto dirige a esta cena pode constituir um “fator patogênico” na medida em que, ao transformar a criança em objeto erótico, provoca um apelo sexual em defasagem com a sua condição infantil.

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